terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Quase


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza
do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece,
que me mata trazendo tudo que poderia ter sido
e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase
passou ainda estuda, quem quase morreu
está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam
pelos dedos, nas chances que se perdem por
medo, nas idéias que nunca sairão do papel por
essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher
uma vida morna; ou melhor não me pergunto,
contesto. A resposta eu sei de cór, está
estampada na distância e frieza dos sorrisos, na
frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”,
quase que sussurrados. Sobra covardia
e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece,
o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência porém,
preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma. Um romance cujo fim é
instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

Um comentário:

Valdecy Alves disse...

TIVE O PRAZER DEPOIS DE ALGUNS ANOS DE PESQUISA E ESTUDO DE FAZER UM VERDADEIRO ACHADO ARQUEOLÓGICO QUE COM CERTEZA TEM GRANDE IMPORTÂNCIA HISTÓRICA PARA TODO BRASIL - JÁ ENVIE FOTOS E IMAGENS PARA MÍDIA E ESTUDIOSOS - PARTILHO COM VCS ESSE ACHADO QUE É UM VERDADEIRO TESOURO HISTÓRICO DE IMPORTÂNCIA UNIVERSAL: http://valdecyalves.blogspot.com.br/2012/09/anuncio-ao-brasil-e-ao-mundo-um-local.html